31 de outubro de 2017

500 ANOS DA REFORMA: INTERNET, A MODERNA PRENSA DE GUTEMBERG.

Há sete anos atrás, quando criei esse blog, eu não imaginava que uma ideia aparentemente tão utópica pudesse tonar proporções tão grandiosas. Eu não fui o único a pensá-la, na realidade a minha contribuição é minúscula no cenário cristão, mas tenho feito um pouco pelo progresso da pregação pura e genuína do Evangelho. Como Deus irá usar o meu trabalho eu não sei, o que importa é que está tudo à disposição dele.

Resultado de imagem para 500 anos da reforma protestanteFoi algo mais forte do que eu. Quando assisti a um pequeno devocional ministrado pelo reverendo Hernandes Dias Lopes, em uma manhã de domingo, meu coração ficou profundamente impactado por uma frase que ele repetiu diversas vezes: "Precisamos de uma nova reforma". Quando comecei a estudar mais sobre história da igreja, doutrinas da graça, reformadores e todos o desdobramento, facilmente cheguei a esta conclusão: Estamos precisando disso outra vez. Ouvir o pastor reverberar meu pensamento naquele dia só me encheu de entusiasmo. Estou no caminho certo! Logo eu, vindo do sistema corrupto e herege do neopentecostalismo, uma vez liberto de tudo aquilo e cada vez mais sedento pelo conhecimento pleno do Evangelho, fui tomado por um desejo ardente de combater tudo que fosse contrário à pureza das Escrituras. Na época eu ainda nem era presbiteriano, mas já admirava a denominação por ser a principal expoente e guardiã da Fé Reformada no Brasil, então comecei a nutrir a ideia de também fazer parte dela. Mas por questões puramente familiares isso não aconteceu de imediato. Creio, como calvinista que sou, que foi o desígnio de Deus. Passei por muitas coisas até finalmente unir-me a IPB. Elas contribuíram para me aperfeiçoar, as coisas não acontecem por acaso e ainda estou nesse processo contínuo.

A internet foi a forma que escolhi para lançar minha minúscula contribuição ao movimento de proclamação da necessidade de uma nova reforma na Igreja. Assim como Lutero usou a prensa de Guttemberg, eu e muitos outros, nos valemos da rede mundial de computadores. A princípio os blogs nos serviam de "portas de Wintemberg". Através deles, textos, argumentações, denúncias, críticas e debates passaram a fazer parte da rotina. Horas de estudo, discussões que entravam pela madrugada no MSN, Paltalk e Orkut. Surgiram os teólogos virtuais. É evidente que há pontos negativos nisso. Alguns eram muito superficiais, meros tumultuadores, mas outros realmente firmaram um compromisso de usar tal ferramenta como um instrumento de iluminação e exposição do Evangelho. O sensacional é que a maioria (eu entre eles) era compostas por jovens e adolescentes, que preferiam gastar horas discutindo e estudando teologia do que namorar e jogar Counter Strike. O agregadores de blogs reuniam vários de nós, e nos chats os debates se estendiam por dias. A União de Blogueiros Evangélicos foi muito importante para mim. Até hoje tenho pessoas que lá conheci como contatos, formaram-se vínculos extrapolaram o simples ler e comentar um post.

Surge o Facebook. A rede do Zuckerberg só potencializou o afã de propagar pela internet a palavra de Deus. Termos como Fé Reformada, eleição, pecado original, livre arbítrio, reforma, tornaram-se comuns, tamanha a quantidade de pessoas falando e comentando sobre esses assuntos. Na era dos geradores de conteúdo, agora qualquer pessoa pode denunciar e revelar os erros dos pretensos pregadores e as aberrações do meio "gospel".

Os blogs, o Facebook, o Youtube, todas essas ferramentas que surgiram, evidentemente como sinais do desenvolvimento tecnológico e comercial da nossa sociedade, são também evidência da vontade de Deus de que sua palavra seja pregada e anunciada a cada vez mais pessoas e que os erros dos escandalizadores do evangelho sejam expostos. Não é a primeira vez que isso acontece. Nos dias da Igreja Primitiva, a língua grega era o meio de comunicação mais eficiente do mundo antigo. Todo o Novo Testamento foi escrito nesse idioma; Roma torna-se o centro das atenções do mundo, Deus envia um homem para lá, para a partir dali escoar sua mensagem à todas as nações; uma máquina que consegue imprimir textos com maior precisão e rapidez,  e em questão de dias a Alemanha e depois a Europa e outros continentes passam a ter a Bíblia em sua própria língua; agora uma rede intercontinental  conecta pessoas de várias partes do globo e que podem conversar, ler e discutir sobre o que quiserem. Nada disso é por acaso. A providência de Deus na história mostra que é ele quem está conduzindo todas as coisas, sejam preservando sua palavra escrita, seja criando maneiras de torná-la conhecida.

Nesses 500 anos de reforma a minha oração é para que Deus nos abençoe e nos faça ainda mais operantes nessa missão árdua de voltar às origens do puro e simples cristianismo. Que outros sejam também motivados a continuar proclamando as verdades do reino de Deus, usando todos os meios que ele graciosamente colocar em nossas mãos.

SOLI DEO GLORIA!
ECLESIA REFORMATA ET SEMPER REFORMANDA EST!


Pb. Samuel



1 de outubro de 2017

O Difícil caminho da Reforma - II


Leia a primeira parte clicando aqui.

A IGREJA "HUMANOCÊNTRICA"

A nossa sociedade vive sob a forte influência do espírito iluminista. Tal influência não deveria ter penetrado na igreja, porém observamos que não apenas a influencia com também está se arraigando cada vez mais no coração da cristandade. Na época da Reforma os cultos eram reconhecidos pelo seu caráter cristocêntrico. Foi uma reviravolta radical dada pelos reformadores que, com isso, estavam condenando veementemente a missa romana. A pomposidade da cerimônia romanista foi deixada de lado, a não ser pelos anglicanos que ainda insistem em preservar alguma coisa dela, mas ainda assim o que prevalece no pensamento de boa parte do protestantismo é o rompimento com as práticas e costumes da Sé romana.

Sem dúvida alguma Calvino foi quem mais contribuiu para a simplicidade das reuniões dos cristãos. Muitos nem sabem, mas o formato e liturgia dos cultos de hoje são consequência do princípio regulador estabelecido em Genebra pelo próprio reformador e depois aperfeiçoado ao longo dos anos pelos seus herdeiros. No entanto, é triste constatar como isso tem sido abandonado em nossos dias. Quando algumas denominações deixam de priorizar a exposição das Escrituras como parte vital e central do culto para inserir outros elementos tais como, dança, teatro, depoimentos e coisas semelhantes, Cristo deixou de ser o centro das atenções. As pessoas precisam entender que o culto não é um momento de lazer ou um encontro social. Culto é um dever, é um momento solene onde estamos reverenciando a única e verdadeira divindade e fazemos isso com o coração alegre, mas conscientes de que não somos merecedores desse privilégio. Transformar o ambiente de culto em show, boate, espetáculo de humor ou algo do tipo, é zombar da graça de Deus e fazer pouco caso de sua misericórdia. É como se um bandido inocentado por um juiz que o absolveu, chegasse na casa deste e sentasse com os pés em cima do centro de mesa, fosse até a geladeira e pegasse o que quisesse e ainda sujasse a sala de comida. Imagine quanta falta de respeito e gratidão! É dessa forma que alguns tem se relacionado com Deus. Precisamos abandonar esta prática de criar coisas para satisfazer as pessoas e fazê-las se sentirem bem ao participarem de um culto. O culto não é para as pessoas, é para Deus; ele é o expectador e não nós. Temos que nos preocupar com isso.

Finalmente, creio que temos um longo caminho pela frente ainda. Os nossos esforços precisam ser redobrados, porque tem muito trabalho a ser feito. Não podemos sucumbir aos apelos da nossa sociedade moderna para sermos politicamente corretos e nem adaptar as ideias oriundas de movimentos suspeitos, como o pentecostalismo, para aumentar o número de membros. Precisamos sim é voltar para as nossas raízes, aqueles ideais que nos foram ensinados no princípio. Vamos nos lembrar de como tudo começou, a Reforma, os puritanos, os piedosos do passado. Aprendamos com eles a rejeitar tudo que fere a pureza e simplicidade do Evangelho de Jesus Cristo.


Pb. Samuel